Chega de dúvida: aumenta em 11% a procura por teste de HIV

Para colocar um ponto final na dúvida, a procura por testes que detectam o vírus HIV cresceu 11% do ano passado para cá. O dado é da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e mostra que a busca espontânea pela sorologia (análise do sangue) passou de 1.624 exames, nos sete primeiros meses de 2010, para 1.809, no mesmo período deste ano. Deste total, no ano passado foram realizados, em média, 29 testes rápidos por mês. Eles são responsáveis por eliminar a dúvida dos pacientes em cerca de uma  hora.
 Os números deste ano são discretamente maiores. De janeiro a julho, a média passou para 35 testes rápidos mensais.Dos pacientes que realizaram os exames, 60,5% são do sexo masculino e 29,5% têm entre 18 e 45 anos. "É um direito da população ter acesso aos exames e sua sorologia", afirma a coordenadora do Centro de Referência e Tratamento (Cocert) da SMS, Maria José Muglia. Os testes rápidos são oferecidos pelo Governo do Estado e repassados à SMS, que administra o serviço. A coordenadora destaca que antes da coleta do material, os pacientes são submetidos a um aconselhamento com enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. É neste momento que a equipe e o paciente definem o procedimento que será realizado. Isto porque os profissionais são treinados para identificar quando a pessoa pode ter sido  . "Se ela faz sexo desprotegido, não usa preservativo e torna isso uma prática,tem potencial para contrair uma DST (Doença Sexualmente Transmissível)", enfatiza a coordenadora. Neste caso, outras doenças devem ser investigadas, como as hepatites B e C e a sífilis. Outro caso que deve ser bem avaliado antes dos exames é a data em que o paciente pode ter se contaminado."Para diagnosticar o HIV, existe uma janela sorológica de 90 dias. É por isso que, na conversa, acabamos detectando quando a pessoa se expôs ao vírus". Em caso de presença do HIV,os pacientes são submetidos a tratamentos com medicamentos antirretrovirais,durante 28 dias. Após seis semanas, os testes são refeitos, assim como depois de três e seis meses. Todo o procedimento é acompanhado por um médico, por conta dos efeitos colaterais. Os mais comuns são náuseas,enjôos e indisposição. Os testes podem ser feitos no Centro de Testagem e Aconselhamento Sorológico (CTA), que fica na Rua Silva Jardim, 94, na, em Santos.  
ACIDENTES BIOLÓGICOS
Profissionais como manicures, pedicures, tatuadores e pessoas ligadas à área da saúde que lidam com equipamentos cortantes também têm uma alternativa para eliminar a dúvida da presença do vírus HIV. Se, mesmo com o uso de itens de proteção individual, o profissional cogitar a hipótese de contaminação, o Centro de Referência em Aids (Craids) é o lugar indicado para a sorologia. O Craids atende no mesmo prédio do CTA. Lá, a orientação é feita com enfermeiras, que encaminham o paciente para os testes. "É importante que a fonte de contágio (a pessoa cujo sangue o profissional teve contato) também seja levada ao Centro para que se identifiquem as possibilidades de transmissão". Vítimas de abuso sexual também são diretamente encaminhadas para a realização dos exames sorológicos. A coordenadora Hospitalar de Saúde da Mulher, Janice da Silva Santos,caracteriza a violência sexual como a forma de contágio que mais resulta em mortes. Desde 2002, 380 casos foram contabilizados na Cidade. Destes, dois evoluíram para HIV positivo e os infectados foram encaminhados para o tratamento com antirretrovirais. "De 2005 até hoje,não registramos nenhum caso de contaminação desses pacientes". Crianças e adolescentes lideram o ranking dos abusados, com 52% dos casos. Em 90% das ocorrências, os agressores são conhecidos e em70%,estão em casa. Janice atribui a redução dos casos de violência sexual às denúncias de parentes e vizinhos. "A violência era silenciosa e hoje não é mais".

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